Diário I

Querem que eu acredite, querem que me ajoelhe aos pés de alguém ou algo cuja presença não é mais sentida por mim. Quando tudo que desejo é dançar livremente no mundo das palavras perdidas que não me cabem mais, ler um livro que me toque, me divirta ou me faça chorar. Fazer amor. Sentir o cheiro do meu amor. Estar no momento sem pensar no momento. Acariciar a simplicidade do momento. Apreciar essa realidade que se apresenta a mim.

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Fico pensando em meu irmão. Como a realidade se apresenta para ele? Qual realidade, seria a pergunta adequada. Não sei. Só espero que ele consiga, de alguma forma, não importa qual, lidar com ela algum dia. Que você possa meu querido irmão encontrar, assim como eu, o caminho. O caminho para encontrar a si mesmo. Pode ser doloroso, mas vale a pena. É longo..., mas incrivelmente acima de qualquer outra experiência que tenha tido ou possa vir a ter. It’s beyond. It is a great beyond.

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Há tanto não uso reticências. Já faz algum tempo... que não uso reticências. Que não escrevo cartas ou envio cartas. As melhores palavras sempre vieram nos meus piores momentos. Dor súbita ou lenta. Pungente. Desespero e solidão. Agora vejo que apesar de toda miséria e sofrimento o que faz mover os dedos meus não é algum tipo de dor ou súplica. É algo mais.

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Isto irá ser o meu diário de bordo.

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A vida é um espetáculo. Luzes. Câmeras. Ação. Êxtase. Aplausos. Cortinas fechadas. Luzes apagadas. Repeat.

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