Quem sou e como me tornei o que sou
Na ausência ou na ruptura com a realidade, a poesia é o que me salva (de mim mesma, e da realidade), somos irmãs, talvez até uma só coisa, existimos em uníssono. Quem sou e como me tornei o que sou Tudo (nada) pesa Nada (tudo) flui Pende-te de uma vida pobre (nobre) e de uma sorte injusta (justa) Carrego a pedra Não descanso, recomeço... Sou homem, mas também Sou mulher Construção e construtor de mim Criador de meus medos Símbolos insólitos Como a luz soberba de Mefistófeles, que “em brava luta o velho espaço à Noite-Mãe disputa” Sou corpo Sou sujeito Sou objeto de mim mesmo Trêmulo Como Sísifo Sou um eterno estrangeiro Mas meu spiritus voa, sempre livre, sob a palavra.